Portaria 418/2004

Aprova as normas regulamentares de aprendizagem em vários itinerários de formação da área de finanças, banca e seguros

Portaria 418/2004

Aprova as normas regulamentares de aprendizagem em vários itinerários de formação da área de finanças, banca e seguros

Emitente: Ministérios da Educação e da Segurança Social e do TrabalhoDiário da República ↗Publicado 22/04/2004

Aprova as normas regulamentares de aprendizagem em vários itinerários de formação da área de finanças, banca e seguros

Diploma

EM VIGOR
Portaria n.º 418/2004 de 22 de Abril Considerando que o Decreto-Lei n.º 205/96, de 25 de Outubro, vem alterar a disciplina jurídica da formação de jovens em regime de alternância, estabelecido no Decreto-Lei n.º 102/84, de 29 de Março, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 436/88, de 23 de Novembro, ao abrigo do qual são publicadas as normas regulamentares nas diferentes áreas de aprendizagem; Considerando a necessidade do estabelecimento, nas portarias sectoriais, de um quadro regulamentar que dê simultaneamente acolhimento à alteração do regime jurídico do sistema de aprendizagem e à evolução dos perfis profissionais sistematizados nos diferentes estudos sectoriais, bem como das normas e perfis profissionais negociados no âmbito do sistema nacional de certificação profissional, regulado pelo Decreto-Lei n.º 95/92, de 23 de Maio; Considerando que a aprendizagem lançada em Portugal em 1984 reveste uma importância estratégica no quadro da política de educação-formação-trabalho, na medida em que, sendo um dispositivo profundamente implantado a nível regional e local, contribui para: O aumento das qualificações profissionais de jovens, associado à elevação das respectivas qualificações escolares; A movimentação de contingentes significativos de jovens para vias profissionalizantes, potenciando o desenvolvimento de novos profissionais altamente qualificados que respondem às necessidades das empresas e, particularmente, das PME, em quadros médios e especializados, numa perspectiva do aumento da sua competitividade; Considerando ainda que os objectivos do sistema de aprendizagem se encontram inseridos no âmbito das medidas políticas, que se concretizam num conjunto de instrumentos, de que importa realçar o PNE - Plano Nacional de Emprego, o PNDES - Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social de Médio Prazo e os compromissos do acordo de concertação e estratégia e do acordo de políticas de emprego, mercado de trabalho, educação e formação; Considerando que as condições decorrentes do mercado aberto e da utilização das novas tecnologias exigem que, cada vez mais, a formação profissional seja altamente eficiente, qualificada, bem como assente numa sólida componente sócio-cultural, importa estabelecer um novo quadro referencial de actualização da Portaria n.º 443/92, de 28 de Maio, que regulamentava as formações na área da banca e seguros, actualmente designada área de finanças, banca e seguros: Nesta conformidade, a presente portaria, para além das formações de nível 1, 2 e 3, consagra também, ao abrigo do n.º 5 do artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 205/96, de 25 de Outubro, formações pós-secundárias não superiores, de especialização tecnológica, que conferem o nível 4 e diploma de especialização tecnológica, nos termos da Portaria n.º 989/99, de 3 de Novembro, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 392/2002, de 12 de Abril, permitindo responder às crescentes necessidades do tecido económico e a nível de quadros intermédios, de forma a acompanhar um mercado de trabalho em rápida mutação e acelerado desenvolvimento científico e tecnológico. Ao abrigo do n.º 2 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 205/96, de 25 de Outubro, e por proposta da Comissão Nacional de Aprendizagem: Manda o Governo, pelo Ministro da Educação e pelo Secretário de Estado do Trabalho, o seguinte: 1.º São aprovadas as normas regulamentares de aprendizagem nos seguintes itinerários de formação da área de finanças, banca e seguros, anexas à presente portaria e que dela fazem parte integrante: a) Técnicas e operações bancárias 1; b) Técnicas e operações bancárias 2; c) Técnicas de gestão de clientes - banca; d) Técnicas de seguros 1; e) Técnicas de seguros 2; f) Técnicas de análise de riscos. 2.º Com a publicação da presente portaria é revogada a Portaria n.º 443/92, de 28 de Maio, que regulamentava a formação de jovens em regime de alternância na área da banca e seguros. 3.º Os itinerários iniciados ao abrigo da Portaria n.º 443/92, de 28 de Maio, mantêm a estrutura inicial, considerando-se válidos os respectivos certificados. 4.º A presente portaria entra em vigor no 1.º dia útil seguinte ao da sua publicação. Em 23 de Março de 2004. O Ministro da Educação, José David Gomes Justino. - O Secretário de Estado do Trabalho, Luís Miguel Pais Antunes. Normas regulamentares da formação profissional de jovens em regime de alternância nas saídas profissionais da área de finanças, banca e seguros. I - Disposições gerais 1 - Ao abrigo do n.º 2 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 205/96, de 25 de Outubro, a presente portaria fixa as normas de organização e funcionamento da formação de jovens em regime de alternância para os itinerários de formação na área de finanças, banca e seguros, constantes do anexo n.º 1. 2 - A formação neste regime, na área de finanças, banca e seguros, terá de obedecer aos seguintes requisitos: a) Assentar em perfis de banda larga, dirigidos a profissões ou grupos de profissões afins, pelo que os perfis de formação definidos devem assegurar as competências básicas indispensáveis a qualquer profissional da área; b) Possibilitar a preparação técnica e profissional adequada às diversas exigências do exercício profissional que permita absorver as evoluções tecnológicas e possibilite a reconversão noutras saídas profissionais de base tecnológica comum, através da rentabilização dos saberes pré-adquiridos. 3 - Associadas aos itinerários de formação na área de finanças, banca e seguros, constantes do anexo n.º 1 e de acordo com a estrutura de níveis comunitária, são consideradas as seguintes saídas profissionais: a) Nível 3: Assistente comercial bancário; Técnico de seguros; b) Nível 4: Gestor de clientes bancário; Técnico analista de riscos. 4 - Para efeitos do número anterior, os perfis profissionais associados contemplam as tarefas/actividades principais constantes dos anexos n.os 2 a 7. 5 - Para além das tarefas enunciadas no perfil profissional é exigido o domínio das seguintes competências: Dominar os conhecimentos tecnológicos da profissão/grupo de profissões; Seguir os regulamentos aplicáveis e respeitar as normas de segurança, higiene e ambientais em vigor. 6 - Os itinerários de formação pós-secundária não superior de especialização tecnológica, consagrados nesta área de formação e constantes dos anexos n.os 4 e 7, têm por base os referenciais de formação - estrutura curricular e duração da formação -, bem como os critérios de avaliação e certificação para os cursos de especialização tecnológica previstos na Portaria n.º 989/99, de 3 de Novembro, com as alterações de redacção da Portaria n.º 392/2002, de 12 de Abril. II - Estrutura curricular e desenvolvimento programático 1 - A estrutura curricular destes itinerários, que consta dos anexos n.os 2 a 7, compreende três componentes de formação: a) Formação sócio-cultural - as competências, atitudes e conhecimentos orientados para o desenvolvimento pessoal, profissional e social dos indivíduos e para a sua inserção na vida activa; b) Formação científico-tecnológica - os conhecimentos necessários à compreensão das tecnologias e actividades práticas, bem como à resolução dos problemas que integram o exercício profissional; c) Formação prática em contexto de trabalho - as actividades de formação realizadas sob a forma de ensaio ou experiência de processos, técnicas, equipamentos e materiais, sob orientação do formador ou tutor, quer se integrem em processos de produção de bens ou prestação de serviços, em situação de trabalho, quer simulem esses processos. 2 - A formação tecnológica tem carácter técnico-profissional, sendo constituída por diferentes unidades de formação conforme consta do plano curricular (anexos n.os 2 a 7) à presente portaria. 3 - A formação prática em contexto de trabalho visa a obtenção de experiência profissional e a integração do formando no ambiente laboral. 4 - Os referenciais curriculares para a componente de formação sócio-cultural e para a matemática, para os itinerários de aprendizagem de nível 3, são os estabelecidos pela Portaria n.º 433/2002, de 19 de Abril. 5 - A componente de formação sócio-cultural abrange, nos cursos de aprendizagem de nível 3, a área de competência línguas, cultura e comunicação, bem como a área cidadania e sociedade: 1) A área de competência línguas, cultura e comunicação compreende os domínios Viver em Português e um domínio de conhecimento de uma língua estrangeira, nomeadamente Comunicar em Francês, Comunicar em Inglês ou Comunicar em Alemão; 2) A área de competência cidadania e sociedade compreende o Mundo Actual e o Desenvolvimento Pessoal e Social. 6 - O domínio Matemática e Realidade integra-se nos cursos de aprendizagem de nível 3, na componente de formação científico-tecnológica, no âmbito da área de competência ciências básicas. 7 - Os domínios da componente de formação sócio-cultural e matemática, com excepção do Desenvolvimento Pessoal e Social, são estruturados em três graus de aprofundamento, a que correspondem etapas progressivas de aquisição de competências, conforme a Portaria n.º 433/2002, de 19 de Abril. 8 - O desenvolvimento dos conteúdos programáticos terão em conta não só as exigências da interdisciplinaridade e dos modelos de organização da formação mas também as necessidades de coordenação entre a formação sócio-cultural, a formação científico-tecnológica e a formação prática em contexto de trabalho. III - Estabelecimentos de formação 1 - A componente de formação científico-tecnológica poderá ser ministrada nas empresas, centros interempresas, escolas ou centros de formação reconhecidos pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). 2 - A formação prática em contexto de trabalho será realizada no posto de trabalho de empresas seleccionadas para o efeito, visando a obtenção de experiência profissional e a integração gradual do formando no ambiente laboral. 3 - A formação sócio-cultural pode ser ministrada em estabelecimento oficial ou particular de ensino, em local adequado pertencente à empresa ou centros de formação reconhecidos pelo IEFP. IV - Selecção e número de formandos 1 - Na fixação do número máximo de formandos a admitir por empresa deverá ter-se em conta a capacidade real formativa da mesma, designadamente os meios humanos e técnicos capazes de garantir a formação e o enquadramento do formando. 2 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, estabelece-se o seguinte: a) O número máximo de formandos para os domínios da formação sócio-cultural e da formação científico-tecnológica não deverá ser superior a 20 formandos por grupo; b) O número máximo de formandos por cada tutor (responsável pela formação prática) não deverá ser superior a cinco. 3 - Em casos devidamente justificados e desde que autorizados pelas estruturas organizativas da formação de jovens em regime de alternância, o número máximo de formandos previsto anteriormente poderá ser alterado. V - Duração da aprendizagem 1 - Os itinerários de formação terão a duração de referência estabelecida nos referenciais curriculares constantes dos anexos n.os 2 a 7. 2 - Para efeitos deste regulamento, consideram-se os períodos de formação, correspondentes aos diferentes anos de formação, como tendo a duração de referência que não exceda as mil e quinhentas horas acrescidas do período de férias. VI - Distribuição da carga horária 1 - A carga horária não deve exceder trinta e cinco horas semanais e mil e quinhentas horas anuais. 2 - O horário da formação prática em contexto de trabalho deve ser preferencialmente fixado pelas entidades de apoio à alternância entre as 8 e as 20 horas, podendo, contudo, ser estabelecido noutro período sempre que a especificidade da actividade profissional o recomende. 3 - O número mínimo de horas por cada uma das unidades de formação será o indicado no referencial curricular constante dos anexos n.os 2 a 7 desta portaria. 4 - Tendo em atenção os meios humanos e materiais disponíveis, bem como a distribuição geográfica das empresas e o seu dimensionamento, a distribuição da carga horária poderá ter por base a semana, o mês, o semestre ou o ano, salvaguardando os princípios pedagógicos da aprendizagem. VII - Avaliação 1 - Ao longo do itinerário de formação, o sistema deverá proporcionar elementos para uma avaliação formativa e contínua do formando em todas as componentes da estrutura curricular. 2 - Sem prejuízo dos procedimentos globais de avaliação definidos para as diferentes componentes de formação, a avaliação da componente sócio-cultural segue o definido na Portaria n.º 433/2002, de 19 de Abril. 3 - Como instrumentos de avaliação deverão efectuar-se testes e ou provas nas unidades/domínios de formação sócio-cultural, científico-tecnológica e prática. 4 - Sem prejuízo da avaliação se exercer de forma contínua, a avaliação sumativa deverá ser efectuada em três momentos por cada período de formação, situando-se o terceiro momento no final do período de aprendizagem. 5 - A classificação em cada unidade/domínio ou componente de formação será expressa na escala numérica de 0 a 20 valores. 6 - A classificação mínima necessária para a aprovação de cada uma das componentes, formação sócio-cultural, formação científico-tecnológica e formação prática é de 10 valores. 7 - Em cada período de formação será atribuída uma classificação final resultante da média aritmética das classificações obtidas nas três componentes de formação, nos três momentos, por cada período de formação. 8 - A transição entre um período de formação e o seguinte implica a aprovação conjunta nas três componentes de formação. 9 - Na situação de não transição, a repetição do período de formação pode ser autorizada em casos excepcionais e devidamente justificados. 10 - O formando que tiver obtido a aprovação no último período da estrutura curricular da correspondente saída profissional visada do curso será admitido a uma prova de avaliação final. 11 - Todos os elementos de avaliação devem ser apresentados ao júri de prova de avaliação final para serem considerados na avaliação final do curso. VIII - Prova de avaliação final 1 - O formando que tiver completado com êxito o último período de aprendizagem nos termos do artigo anterior deve ser submetido a uma prova de avaliação final, a organizar por júri regional e assistido por júris de prova, nomeados para o efeito. 2 - A prova de avaliação final deve incidir, obrigatoriamente, sobre uma prova de desempenho profissional elaborada a nível regional, com base em critérios de avaliação aprovados para o respectivo itinerário de formação. Assim: 1) A prova deve ser elaborada sob responsabilidade das delegações regionais do IEFP que, para o efeito, designarão especialistas, preferencialmente formadores do sector de actividade profissional correspondente; 2) A prova consiste num ou mais trabalhos práticos baseados nas tarefas mais representativas da profissão objecto da aprendizagem e deve avaliar, na medida do possível, as capacidades e conhecimentos mais significativos adquiridos nas restantes componentes de formação. IX - Composição dos júris 1 - O júri regional que presidirá à prova de avaliação final será no mínimo constituído por um elemento de cada uma das seguintes entidades: a) IEFP, elemento a designar pela delegação regional, que presidirá; b) Ministério da Educação, representante a designar pela direcção regional de educação; c) Associações patronais; d) Organizações sindicais. 2 - Os júris de prova serão constituídos no mínimo por três elementos do respectivo domínio tecnológico: a) Um representante do IEFP, que presidirá; b) Um formador da componente de formação tecnológica; c) Um tutor da prática no posto de trabalho. 3 - O júri regional organiza e promove a realização das provas de avaliação final, competindo aos júris de prova o acompanhamento, realização e classificação. X - Certificação 1 - Será conferido um certificado de formação profissional, a ser passado pelo IEFP, aos formandos que tenham sido aprovados na prova de avaliação final. 2 - O certificado corresponderá a uma qualificação completa para o exercício de uma actividade bem determinada, com capacidade de utilizar os instrumentos e as técnicas que lhe são próprios. 3 - Em função dos diferentes itinerários consagrados neste portaria, o certificado confere as seguintes equivalências escolares e ou qualificações profissionais para todos os efeitos legais: a) Ensino secundário (12.º ano de escolaridade) e nível 3 de qualificação, para o(s) itinerário(s) de técnicas e operações bancárias 1 e técnicas de seguros 1; b) Nível 3 de qualificação, para os itinerários de técnicas e operações bancárias 2 e técnicas de seguros 2; c) Diploma de especialização tecnológica (DET) e nível 4 de qualificação, para o(s) itinerário(s) de técnicas de gestão de clientes - banca e técnicas de análise de riscos. 4 - Pela articulação com o sistema nacional de certificação profissional (SNCP) e nos termos conjugados do disposto no Decreto-Lei n.º 95/92, de 23 de Maio, e no Decreto Regulamentar n.º 68/94, de 26 de Novembro, a conclusão, com aproveitamento, dos itinerários de nível 2, 3 e 4 pode conferir um certificado de aptidão profissional (CAP). XI - Disposições finais 1 - De acordo com o artigo 41.º do Decreto-Lei n.º 205/96, de 25 de Outubro, as normas estabelecidas neste quadro regulamentar poderão ser adaptadas ao desenvolvimento de acções dirigidas a grupos específicos ou integrados em regiões ou sectores considerados prioritários ou particularmente carenciados. 2 - A regulamentação dos aspectos formais da organização da avaliação, composição de júris e suas competências, provas finais e certificação serão estabelecidas no regulamento de avaliação. Do ANEXO N.º 1 ao ANEXO N.º 7 (ver anexos no documento original)